Museu Municipal de Loulé

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Apresentação

 

Os museus nascem de sonhos, de necessidades e da vontade das comunidades de preservarem e, simultaneamente, de questionarem e partilharem a sua identidade… assim foi em Loulé!

 

O jornal “O Louletano”, em 1934, escreve: “Por todas as freguesias deste concelho encontram-se dispersos vários objetos, que (…) um pouco de boa vontade, tenacidade e algum numerário, formariam um, senão modelar ao menos regular, museu”. Três décadas depois, num discurso proferido na Casa do Algarve, em 1960, José António Madeira, geógrafo e astrónomo louletano, afirmava que “as bibliotecas e os museus não se devem concentrar apenas nos grandes centros deixando as cidades pequenas e vilas à margem dessas instituições de cultura”.

A partir de 1978, estas aspirações começam a tornar-se realidade com a criação da Comissão Pró-Museu e Arquivo, da qual fizeram parte o Padre João Coelho Cabanita, José Mendes Bota, António José Palma Clareza, Eduardo Arsénio e João Corpas Viegas. Este grupo desenvolveu ações que visavam a organização da estrutura inicial do pretendido Museu, Arquivo e Biblioteca e também o inventário e classificação do património arqueológico existente. Esta comissão foi crucial no momento inicial de constituição de acervo museológico. Mais tarde, em 1983, já depois de ter surgido a ideia de albergar o Arquivo e Museu na Alcaidaria do Castelo, é criada a Comissão Municipal de Defesa do Património e, dois anos depois, a 27 de junho, reúne o Grupo de Amigos do Museu de Loulé, na Quinta do Lago, Almancil, presidido por André Jordan. A 25 de março de 1985 surge um primeiro projeto de musealização pelas mãos de António Nabais e Isilda Martins.

No entanto, a concretização da criação de um espaço de memória dedicado ao património arqueológico do Concelho ocorreu apenas na década de noventa, com a inauguração oficial do Museu Municipal de Arqueologia de Loulé no dia 25 de maio de 1995, com projeto de arquitetura e museologia de Mário Varela Gomes. Aos primeiros espaços museológicos (Cozinha Tradicional, 1991 e sede, 1995) juntou-se o Polo Museológico dos Frutos Secos em 1998 e em 2002 o Polo Museológico de Salir. O Polo Museológico Cândido Guerreiro e Condes de Alte é inaugurado em 2009 e, em 2012, em Querença, abre o Polo Museológico da Água. Mais recentemente, em 2022, inaugura o espaço museológico dos Banhos Islâmicos e Casa Senhorial dos Barreto. Este último espaço foi galardoado com dois prémios APOM em 2023, o Prémio “Salvaguarda, Conservação e Restauro em Património Cultural” e o Prémio “Museografia”.

 

Procurando sempre afirmar-se enquanto entidade museológica de referência o Museu Municipal de Loulé integra a Rede de Museus do Algarve desde 2007 e, desde 2017, a Rede Portuguesa de Museus.

Neste contexto, nos últimos anos, o Museu tem desenvolvido um intenso trabalho em rede, o que se tem refletido em valiosos projetos expositivos, tais como a exposição “Loulé. Territórios, Memórias, Identidades”, patente no Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa, entre 21 de junho de 2017 e 23 de junho de 2019. Esta mostra deu a conhecer mais de 7000 anos de história do nosso território, sendo premiada pela APOM, em 2018, ano em que recebeu os prémios “Catálogo”, “Parceria” e menção honrosa na categoria de “Mediação e Extensão Cultural”. Em 2019 a mesma exposição mereceu o prémio “Comunicação Online”.

Ainda em 2019, a exposição “Trabalhadores forçados portugueses no III Reich e os louletanos no sistema concentracionário nazi” recebeu o prémio APOM “Investigação”. Esta exposição mereceu igualmente uma menção honrosa no Prémio “Aristides de Sousa Mendes e outros salvadores portugueses - Holocausto, Valores Universais, Humanismo e Justiça”, em 2022. A exposição “A Saúde de uma Comunidade. Loulé na primeira metade do século XX” foi premiada como uma menção honrosa na categoria de “Exposição Temporária” pela APOM, em 2021. No âmbito das parcerias destaca-se ainda a exposição “Com os Pés na Terra e as Mãos no Mar – 6000 anos de História de Quarteira”, inaugurada em 13 de maio de 2021.

De salientar é ainda o trabalho desenvolvido pelo Museu em 2015 na preparação de toda a documentação necessária e de submissão com sucesso da candidatura de inscrição do culto da Nossa Senhora da Piedade no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial. Esta ação deu frutos cinco anos depois com a classificação da Mãe Soberana como Património Cultural Imaterial de Portugal.

Desde abril de 2023, o Museu integra a NEMO – Network of European Museum Organizations, rede apoiada pelo Europa Criativa e que conta com representantes de mais de 30 mil museus oriundos de 40 países europeus.